quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cerro Arequita. Minas, Lavalleja-Uruguay

Cerro Arequita.

Conhecemos o Cerro Arequita, através do periódico Mountain Voices nº108, pelo relato do escalador Pedro Hauck que por lá esteve e deixou-nos a vontade de ir. Já nesta matéria Pedro falava de um lugar de ótimas escaladas, com muitos tetos e diversas possibilidades. Também relatava uma gritante falta de conhecimento técnico em termos de equipagem das rutas.

Organizamos e fomos conhecer El Arequita, uma semana foi o tempo determinado. Na mochila ia certo o equipo de conquista! Na cabeça vontade de abrir uma bela via dentro do melhor estilo da escalada em livre e limpa. A equipe: Gabriel Netto, Andréa Espiga e eu. A viagem foi perfeita, estrada boa, sem movimento, bem sinalizada. Chegamos ao Cerro Arequita à tardinha, com uma cena de por do sol chocante. Tudo como sempre é descobrir um pico alucinante de escalada. Muitas pedras! Muita via pra se aberta! Muitas FENDAS! Muitos TETOS! E sabendo que a rocha é riolito, estávamos eufóricos, já havíamos escalado riolito em Apiúna-SC, e é perfeita para escalar. Chegamos ao camping, perfeito. Bom local, luz elétrica, mesas, pequenas árvores, silêncio, banheiro bom e um banho quente surpreendente.

Primeiro dia saímos para conhecer, caminhamos em toda face de rocha que podíamos entrar, sim, que nos autorizavam. Pois quando começamos a perguntar como seria para escalar... Aí começaram os problemas. A princípio: No se puede escalar! Nos respondiam. Uns argumentavam que não queriam escaladas em suas propriedades, pois todas rochas estão em propriedade privada, outros diziam ser uma área de preservação, controlada pelo Ministério del Ganado, Caça y Pesca (MGAP) o que é verdade. Descobrimos um fiscal del Ministério, que vive ali perto, fomos falar com ele, longa e agradável conversa com um senhor simpático e muito educado, que prontamente entrou em contato com os superiores responsáveis para autorizar-nos a escalar. Tal autorização veio 24 horas depois, junto com o tempo ruim, bem ruim! Frio e chuva intensa, quase abandonamos e voltamos. Mas ficamos para abrir uma via naquele lugar. Sobre a preservação do lugar, é imprescindível tal consciência. Há espécies endêmicas na superfície rochosa, há bosques de Ombues (Umbú) Phitolacca dioica, margeando as rochas. Um lugar para ser preservado mesmo! Mas, como todo povo de terceiro mundo, não possuem esta consciência, tiramos sacolas cheias de lixo, de todo tipo, de toda parte.

Dois dias de baixo de vento gelado e chuva, amanhecemos com 3 graus negativos, mas maravilhosa visão do céu azul! Pra rocha! Direto para onde anteriormente havíamos mirado. Segundo problema: devido ao frio, as baterias da furadeira não funcionaram, descarregaram-se. Bastante irritante. Mas fomos aliviar as tensões escalando en el ”Cerro de los cuervos”, onde estão as tais vias ultra equipadas e que está em frente ao camping. Foi a salvação! Escalamos pegando sol, olhávamos o brilho quente refletido nos campos cheios dágua, pois choveu muito mesmo, e realinhamos o astral. Sobre as vias: total aberração! Mal feitas, com paradas perigosas, até mesmo com correntes equalizadas a uns 150° de tração!!! Vimos vias com (acreditem!) 4 paradas uma em cima da outra. Ainda paradas com 4, 5, 6 chapeletas todas interligadas com correntes, malhas. Costuras a um metro uma da outra. Bolts e spits abandonados por todo lado. O que menos pensaram ao fazerem estas vias foi em ética, segurança e preservação ambiental, notava-se um pouco de escalada. A pedra toda furada, pensamos que poderia ser pela rocha não muito segura naquele cerro, que apresentava superfície bastante intemperizada, mas nada demais, portanto queriam reduzir o tamanho das quedas, ou ainda, como vimos no site dos hermanos que abriram as vias, que eles trabalham com crianças portadoras de síndrome de down, por estes motivos entendemos a super equipagem e poluição da rocha, mas ainda haviam traços de total falta de conhecimento. Bom, concluímos: O Uruguay não tem rocha, não tem montanha, não há tradição de escalada, é aceitável eles não terem acesso a informação, quererem escalar e fazer qualquer coisa! E começamos a perceber que realmente tem de se proibir a escalada mesmo naquele lugar! Pois com essa visão de “escalada” não resta dúvida que escalada é muito impactante.

Dia seguinte, conquista. Agora sim, conquistamos uma bela linha de 15 metros 7º, batizamos de “La Diplomacia”, pela intensa atividade diplomática, para conseguir escalar naquele lugar, principalmente da Andréa que habla fluentemente o espanhol. Linda via mesmo 5 costuras e parada, sem quebrar nem um cristalzinho, rocha perfeita na linha da via! Já estávamos em plena faceirisse. Mas, ainda há muita pedra.

Alvo número dois: Um pico isolado,que só se pode subir escalando, e é claro virgem! Esta sim fez a cabeça, dois dias de conquista numa rocha alucinante, agarras duras e distintas, quanto mais alto mais buracos, bidedos, tridedos e pinças perfeitas. A escalada foi só realização. E chegamos àquele pico virgem num dia completamente limpo. Abrimos então a “Que Cosa Bárbara” 30 metros 8a, 8 costuras.

Felicidade total! Vimos que o Arequita possui rocha perfeita para escalar, propicia vias de alto nível! Salvo em alguns pontos que facilmente percebe-se rocha ruim. E o Cerro de los cuervos, onde estão as vias da galera de lá, é a pior rocha, que já é boa! Arequita é um pico alucinante para vias esportivas e clássicas. Ficamos muito satisfeitos, mesmo com estes dois problemas que enfrentamos: proibição para escalar e tempo ruim, que tomou muito tempo. Mesmo assim fomos embora querendo voltar lá para abrir outras linhas que já planejamos. Também na saideira conhecemos o uruguaio que abriu grande parte das vias lá, cara muito legal bem educado. Confirmados os motivos das vias porcalhentas: Trabalho com crianças e falta de experiência. Também ele não demonstrou muito interesse em aprender coisas novas, pois viajou bastante pelo mundo para escalar! Inclusive reclamou da reportagem que ele mesmo leu no Mountain Voices, falando que as vias eram super equipadas. Bueno! Tratamos de agradecer, elogiar, trocar e-mails e nos prontificamos a mandar os croquis das duas vias que abrimos lá, por cordialidade, respeito aos locais e querer incentivar as escaladas.

Um mês depois, em casa, recebemos e-mail, do cara esse que abre via lá. Problema número 3: O cara foi repetir nossa via, a “La Diplomacia” e resolveu bater mais uma parada! Segundo ele porque ficou melhor posicionada. Houle!! Parece que o cara não sabe escalar sem uma furadeira. Mandou fotos para mostrar que havia aberto uma “variante” e que a parada ficou melhor pra rapelar. Pelas fotos vimos que não se trata de variante alguma, mexeu na via mesmo. E ainda deu nome pra isso, batizou a “variante” de “Diplomacia Rioplatense”! É incrível mais os caras lá vivem noutro planeta, um mundo isolado baseado em suas vontades e nada mais, não importando o lugar onde passam nem o trabalho alheio.

Bom quem quiser ir lá! E enfrentar essa treta toda... Estamos dispostos a dar informações, pois acreditamos que assim poderá haver uma troca de informações e que o esporte entre na linha por lá. Não esqueçam que é permitido escalar apenas nos cerro de los cuervos, onde estão as vias quase ferratas. No Arequita é proibido! E precisa autorização verbal do Senhor Ruben Perera. Depois disso, se autorizado, abram lindas e limpas vias! Por favor! Pois contribuirão para uma formação ética local, algo mais lógico, coerente, preservacionista e moderno.

Há uma espécie de cravos da rocha, endêmico. Atenção neste caso! Fácil perceber crescem em pequenos grupos, agregados. Desenvolvem um talo, ficando pendurados no vazio. Há linhas onde não há estes cravos, como as duas que abrimos.

Gustavo T. Netto





Conquistando um pico virgem, "Que Cosa Bárbara".





Los Clavitos, ainda pequenos mas crescem mais de um metro, endêmicos da região.


Croqui da "Que cosa Bárbara".

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Uma ou duas palavras (a mais) sobre a Pedreira de Pelotas RS.

Conhecida como o campo escola da cidade, propicia escalada numa região sem montanhas. Pois Pelotas localiza-se numa região costeira e plana do sul do RS, não havendo mais do que boulders, muitos bem bacanas, assim fazendo com que exista escalada aqui na nossa região. A pedreira está desativada a cerca de um século, desenvolvendo assim um aspecto não tanto artificial, lembrando até um bom ambiente natural, com pequenas árvores, liquens e bromélias; dando um aspecto menos impactante. Portanto é uma “ilha vertical” na planície costeira, onde há quase vinte anos iniciou a prática de escalada em rocha. Na época era difícil todo tipo de informação e equipamento, fazendo com que nos arriscássemos bastante, que por – poucas – vezes trouxe algum acidente. De lá pra cá muito trabalho, em remoção de pedras soltas, para dar lugar a novas vias, o que até hoje seguimos fazendo. Cursos, aprendizados, equipamentos, viagens e a paixão que já me traz 18 anos de experiência, cada vez tornam-me mais dedicado ao esporte/estilo de vida.

Hoje a Pedreira conta com 22 vias para guiar, e alguns top hopes, quatro projetos acabam de serem aprovados pela AGM (Associação Gaúcha de Montanhismo) e estão recebendo tão sonhada equipagem. Todas garantindo um bom desafio tanto físico como psíquico, em vias estéticas, bem equipadas garantindo a beleza vertical do esporte e a não poluição visual da rocha, que te convida a ser mais concentrado em lances, que para muitos tremem e reclamam da exposição já indicando onde deve ter mais chapeleta, para outros, encaram como obstáculo a ser superado. Enfim, detalhes pessoais que só quem escala conhece, em vias esportivas com o clássico da verticalidade, assim que escalamos por aqui. A Pedreira é um incentivo à escaladas mais consistentes, equilibradas e concentradas.

Com vias entre 10 e 35 metros, do 5º ao 9º. Granito. Com os bons e velhos grampos P de meia polegada à chapeleta. As vias bem verticais, algumas com incríveis passadas levemente negativas, pequenos tetos, fendas (equipo móvel). E de fácil acesso. Podemos citar a mais escalada “Tech Five” há tantas histórias de ascensões por diversos montanhistas ao longo dos anos que não se ousa dizer que há um conquistador. “Fendinha” 6º E3, clássica via mista (uma proteção fixa); que dá-nos grande trabalho de manutenção, em limpeza de terra e mato. “Meretrizes” 6º, fenda de 28 metros, possível de fazê-la em móvel, mas que um dia acabaram por equipar, tornando-a mista e objeto de discussões. Está ainda com os grampos, que eu sempre fui radicalmente contra e hoje vejo como uma alternativa segura aos iniciantes e àqueles que não possuem equipamento móvel. Digamos até, uma visão menos elitista, e digo isto somente neste caso! “Pica Piedras”, linda via de 6º, com uma passada adrenante pelo teto, onde necessariamente tu tens que pular num agarrão (7b) sobre o vazio, esta é uma via que exige psico e que conta com poucas cadenas em função disto, mas sempre com muita satisfação garantida. ”Aderência” 8c 35 metros de muita pressão e muitos movimentos distintos. “Abra Cadabra” 9a 25 metros, a primeira via desta grade encadenada em 1997. “Fly By Night” 7b 30 metros, linda fenda toda em móvel! Que levou uma década para ser limpa de pedras e terra. “Shogum” 9c 33 metros (sem comentários!) e “Bushido” projeto do Gabriel Netto, que aparenta estar disputando uma vaga no 10º.

Em geral as vias são de complicadas visualizações, principalmente o crux. E já tenham isso como beta principal, aliás, há vias muito difíceis de mandar à vista, mesmo com graduação bem razoável para o grau que a galera está mandando. Falo de à vista, na forma original e pouco levada a sério: sem qualquer informação da via, nem mesmo ver alguém a escalando ou dar segue nesta, sem saber onde é o crux, sem ver vídeo no youtube, fotos. Sem estar pré-equipada, ou com agarras marcadas de magnésio. Isso é à vista, o resto é beta.

Gustavo T. Netto


terça-feira, 28 de julho de 2009

Vias do Campo Escola de Pelotas-RS.


Pedreira localizada no município de Pelotas, sub-distrito Monte Bonito, desativada há décadas forneceu granito para a construção dos molhes de Rio Grande na praia do Cassino. Há alguns antigos relatos de escaladas clássicas na pedreira, registrados por grampos enferrujados que marcam a tentativa destes montanhistas. A pedreira tornou-se um ponto importante para as escaladas da plana região da encosta da serra, sendo um bom campo escola, estabelecido principalmente pela abertura das rotas por nós (incluindo nosso irmão mais velho, que começou as escaladas na família). Hoje continuamos os projetos de novas rotas na pedreira, sempre por iniciativa nossa e demais amigos escaladores daqui de Pelotas, bem como o investimento nos equipamentos lá fixados. Ficamos felizes por propulsionar as escaladas aqui na nossa região. Distante 22Km do centro de Pelotas, localiza-se na região do Monte Bonito, fácil acesso, chega-se de carro tanto por cima das vias como por baixo. Pela BR116 que liga Pelotas à POA, logo depois da Polícia Rodoviária Federal (para quem vem de Pelotas), entra à esquerda por estrada de terra, onde há um pórtico "Monte Bonito, Sejam Bem Vindos". Siga 7 Km por esta estrada sempre pela principal. Na primeira bifurcação: siga reto. Já chegando no Monte Bonito, há uma rótula, siga à direita, logo passará por uma ponte seca (antigo trilho de trem) e mais uns 5oo metros, onde à direita vê-se o Armazém Paraíso (de cor verde berrante), entra-se à esquerda, por uma viela que te levará dentro da pedreira, chegando nas vias por baixo. Se passar deste armazém, seguindo reto, logo passará pela parte de cima da pedreira, à esquerda e pouco visível da estrada. E qualquer dúvida basta perguntar pela pedreira onde tem escaladas, todos conhecem.


Não aconselhamos acampar na área, embora a população local seja composta por boas pessoas, há o risco de aparecer algum delinquente para causar confusões.






Visualizar Acesso ao Campo Escola em um mapa maior

















Créditos das imagens: Andréa P. Espiga


Pedreira do Monte Bonito – Pelotas – RS


1 Galope Soberano 8b 15m (5 costuras e parada) Equipada por Gustavo Netto, Marcel “jason” Azevedo e Gabriel Netto 2006.

2 Watis Tutis 5° 20m (Camalot 3, excentric 9 e 2 costuras) Conquistada por Gustavo Netto e Guilherme Netto 1995.

3 Fly by Night 7b 30m. Via em móvel com parada em grampos “P” (1 jogo de friends e excentrics médios). Trabalho de limpeza: Marcel “jason” Azevedo e Marcelo “maizena” Reis. Primeira ascenção: Marcel “jason” Azevedo, 2003.

4 Abra Cadabra 9a 25m (8 costuras e parada) Via de Stanley Costa, Adriano Giacomet e José Luis Kavamura, posteriormente equipada por Gustavo Netto 1997.

5 Shogum 9c 30m (10 costuras e parada) Equipada por Gabriel e Gustavo Netto 2003.

6 Diedrinho 9b/c? (13 costuras e parada) equipada por Gabriel e Gustavo Netto 2009.

7 Sombra da Maldade 8b 12m (5 costuras e parada) Via de Guilherme Netto e Gustavo Netto equipada por Ricardo “canguçú” Rutz.

8 Fendinha 6º E3 25m (1 jogo de nuts, friends pequenos e médios um grampo P e parada). Equipadores Guilherme, Gustavo e Gabriel Netto 1995.

9 Doritos 5sup (6º) 10m (3 costuras sem parada) Via de Stanley Costa, Adriano Giacomet, Kavamura 1995. Equipada posteriormente por Alexander “xandinho”.

10 Acanguaçú 5sup (6sup) 25m (9 costuras e parada) Guilherme Netto e Gustavo Netto. Posteriormente equipada por Ricardo “canguçú” Rutz.

11 Mutante 5º (6sup) 25m (8 costuras e parada) Equipador Alexander “xandinho”.

12 Mutação 5º (6sup) 15m (3 costuras e parada, variante da Mutante a partir da 3a costura). Equipador Marcos Pâncaro.

13 Variação Somaclonal 7c 25m, (9 costuras e parada, chapeletas). Via antiga era em top houpe, equipada em 2009. Por Gustavo e Gabriel Netto.

14 Tech Five 5º (5sup) 25m (10 costuras e parada) Várias ascenções por muitos escaladores, trata-se da linha mais óbvia da pedreira. Equipada pelo escalador pelotense Fernando Silva em 1994.

15 Bushido (projeto) Equipado e trabalhado por Gabriel T.Netto

16 Aderência 8c 35m (13 costuras e parada) Gustavo Netto e Guilherme Netto 1997.

17 Sete Quedas 6º (7a) 15m (5 costuras, variante da Meretrizes) Equipada por Alexander “xandinho”.

18 Meretrizes 6º 30m (10 costuras e parada) Via de Stanley Costa 1995. Fenda que é possível escalá-la em móvel, 1 jogo de friend e 1 jogo de stopper. Posteriormente equipada por "xandinho"com grampos, que possibilitou uma melhor proteção do escalador (proteção mista, é necessário um ou dois friend pequeno). Se feita apenas em móvel, dá um E3 no trecho acima do platô, como era originalmente a via e escalada assim pela primeira vez por Gustavo Netto em 1998.

19 Los Pica Piedras 6º (7b) 30m (10 costuras e parada) Equipada por Gustavo Netto e Guilherme Netto 1996.

20 Noushortchê 5ºsup (7 costuras [chapeletas] e parada) Via antiga, era em top hope. Variante da Acanguaçú. Equipada por Gustavo T. Netto em 2009. (top foi colocado por Gustavo e Marcelo "Maizena" em 1996).

22 Classic Rock 6º (7b?) (8 costuras [chapeletas] e parada). Gustavo T. Netto 2009.

domingo, 17 de agosto de 2008

Vias da Casa de Pedra, Bagé-RS.




A Casa de Pedra localiza-se no munícipio de Bagé RS, desde a década de 70 há relatos de conquistas, várias tentativas até finalmente chegar ao cume do "Pico do Morcego" por um grupo de montanhistas gaúchos que abriam a primeira rota naquele lugar, um artificial por um negativo incrível! Que hoje conhecemos por "Artificial da Conquista". Passaram-se os anos, mais vias tradicionais foram abertas e hoje os trabalhos estão muito voltados as vias esportivas, já que o lugar oferece grandes negativos em diversos pontos. Há então, desde vias tradicionais, esportivas e boulders. Vias em móvel não são representativas, porém como que para deixar claro que a casa de pedra é um pico forte!Há uma fenda em um teto!! Dentre as vias em móvel de estilo esportivo, que há pelo Brasil, esta está dentre as mais difíceis, graduada em 9a. A rocha é Brecha sedimentar, um tipo de conglomerado com seixos angulosos pouco desgastados, de excelente qualidade para escalada. A graduação varia do 3º ao 9c (por enquanto) e há diversos boulders até um V10.



Importante ressaltar que localiza-se em propriedade privada e é necessário autorização para acampar. Imformar-se com os locais ou passe nas fazendas para avisar. Jamais deixar lixo e perturbar a tranquilidade do local, não escute música em volume alto. O local não possui estrutura de camping. Água de nascente, ideal levar água!
Se fizer fogo, faça onde já existem as churrasquerias rústicas, não faça em outros locais, procure aliás nem fazer fogo, leve fogareiro. Enterre suas fezes. Mantemos uma boa parceirira com o moradores da região e pretendemos mostrar a comunidade local que escaladores são exemplo de preservacionismo. Já houve problemas em outros tempos, com escaladores, e o local foi fechado para as escaladas ou qualquer visita por 3 anos! Não vacile.

Costuma-se chamar as paredes maiores e próximas da casa de pedra de "conjunto principal." O “segundo conjunto” são as pedras menores e ao sudoeste da casa de pedra, devendo-se voltar pela estrada de terra até o segundo riacho e rumar para o sul em direção às pedras: Cabeça Dinossauro, Ovelha não é pra mato, Lajão, Tromba do Elefante, Alta Ansiedade e, por último, a Esfinge.
Não presisarás mais do que 15 costuras, a maioria das rotas são escaláveis com 10 costuras, material de “parada” e uma corda de 50m; as que necessitam de equipo extra estão detalhadas. Os rapéis transcorrem pelas próprias vias com duas cordas de 50m ou, em grande parte, uma de 60m.

Também há 3 rotas não registradas aqui: no segundo conjunto "Alta Ansiedade” 5sup 45m (Gabriel T. Netto e Marcelo P. Reis "maizena") e a Tromba do Elefante 4°sup 50m e no conjunto principal (à direita do Tiranossauro Rex) “Canaleta” 5º 75m.

Para chegar na casa de pedra: pela BR-153 basta entrar, à esquerda, em uma estrada de terra situada 60km antes do trevo de acesso de Bagé (ou 15km antes do posto de gasolina”posto 50”), sentido Caçapava-Bagé, que da acesso a fazenda Bordoada. Note que é o único ponto nesta rodovia que possui também uma estrada de terra à direita, ou seja, uma estrada de terra pra cada lado...Também há um abrigo de ônibus neste ponto. Por esta estrada seguir 10Km, passando por 7 porteiras (feche todas que você abrir!!!) Pergunte aos moradores, todos conhecem o local.








1. Pedras localizadas no Segundo Conjunto:








Pedra do Lajão:

1 Lajão 3° 50m. Via com proteções duvidosas! (Eduardo Rem).
2 Só assim meu chapa 50m. Via com proteções duvidosas! (Daniel “carioca” e Paulo “Kricko”).


2. Conjunto do Ninho das Águias:

3. Conjunto Principal:



3.1 Conjunto maior:




1 Setor Sabão de côco (marcada a via Sabão de coco)


2 Tarântulas 4° 25m.

3 Variante da Tarântulas 5° 15m (via mista que necessita de 3 ou 4 friends pequenos e médios).

4 Mínimo Impacto Zero 6° 30m (Cristiano Ritta, Otávio Fagundes e Guilherme Vacilloto).

5 Grip na Certa 6° (Exposta!) 85m (Gabriel T. Netto e Marcelo P. Reis "maizena"). Necessita de um Camalot 3 para a chaminé inicial, o restante apenas costuras.

6 Seu Nadico 5º (6º) 75m (Alisson Peroto e Elton).

7 Los Amigos 7b (Exposta) 50m (Gustavo T. Netto e Gabriel T. Netto).

8 Bolinhos de Chuva A0 (Rafael Britto).

9 Corpo Mole 7b 15m (Henrique Cony).

10 Quase que Desisti 6° 15m (Henrique Cony).

11 Efeito Dijon 9b 20m (Leonardo e Guilherme Zavaschi).

12 Marimbondos Contra Atacam 8c 25m.

13 Setor Chorreras:



Com 6 vias “filé” de 7a ao 9a com 10m à 20m (Gabriel T. Netto e Gustavo T. Netto). Descrição da esquerda para direita: Mas que Diabos 7a; Níquel Cádmio 7b; Miler 7c; Cangibrina 9a(sai da primeira chapa da Miler); Sirigaita 7a (variante da Teúda) e a Teúda e Manteúda 8b(cadena após a virada completa!).





3.1.1. Setor Sabão de Coco;





Vias da esquerda para a direita:


1) Crazy Monkey 9b 5 proteções + parada simples.

2) Sem hoje não existe amanhã (projeto) 10º? 5 proteções + parada simples.

3) Sabão de coco 9c Guilherme Zavaski e Henrique Cony.

4) Trabalho operário (Projeto) 10a? 5 proteções + parada simples.

5) Certezas incertas (Projeto) 9c? 5 proteções + parada simples.

6) Operário Padrão 9c 4 Proteções + parada simples.

7) Lendas de Bagé (projeto) 9b? 2 proteções + parada simples.

As demais vias, exceto a Sabão, foram equipadas por Vini Todero, Thiago Balen e Carlos Monkey.











3.2 Vias do “Pico do Morcego”:

1 Edegar Kitelman 6sup 85m proteções em chapas caseiras. (Edegar Kitelman, João G., Rudah Azevedo, Rafael Brito e outros)

2 Papagaio Pirata 6sup 85m via somente em grampos “P”. (João G., e outros).

3 Paranóia Delirante 8a 15m (Gabriel T. Netto e Gustavo T. Netto).

4 Marimbondos 4°A0 Primeira via da região (Irene e C.G.M.).

5 Face Oculta 7º (8b) 50m (Orlei, Paula Amaral, Elton Comoreto) *Via de rappel do Pico do Morcego (uma corda de 50m).






3.3 Área Enigma de Suruquá:



1 Entre o Sol e a Lua 4º (5sup) 100m. Necessita 14 costuras (Orlei e Carlos W.).

2 Gerador 7a 10m (Cristiano “bac” Backs e Daniel “carioca”).
*Bons Boulders à esquerda desta via!

3 Dragão Branco 9b 18m (Gustavo T. Netto e Gabriel T. Netto).

4 Quebradera como qualqué otra 6sup 50m (Gabriel T. Netto e Gustavo T. Netto). Via equipada com CHAPELETAS.

5 Enigma de Suruquá 5sup 60m (Henrique Cony). Via equipada com PINOS "P".

6 Eta cramulhãozinho endiabrado sô ??? Via não aconselhada. Via não concluída e com uma suposta reforma, também não concluída. (Elton Comoreto).

7 Decifra-me ou te devoro 8a 30m (Rafael Brito e Henrique Cony)
Para direita desta via há o top hope da T.Rex e seguindo mais à direita a via “Canaleta” 4º (5º), duas cordadas.

3.4 Área da Marimbondos:

1 Marimbondos Contra Atacam 8c 25m.

2 Nematelmintos 5° 40m (começa pelo diedro).

3 Saramandaia 5° (Exposta) 50m (Iuberê D. Machado “Berê”).

4 Aproveita Mané 4º (8º ou A0) 50m. Primeira cordada: 4º, 2 costuras . Segunda: 8a (A0) , 7 costuras. (Gabriel T. Netto e Guilherme T. Netto).

5 Tio Safado 4º (9a) 30m. Necessita um jogo de friends, costuras e fitas longas (Gabriel T. Netto).



3.5 Área da Viajada:

1 Viajada na Escalada 5sup (Exposta) 60m (Cristiano “bac” Backs e Daniel “carioca”).

2 O canto da sereia 5° 70m Levar fitas bem longas! As proteções estão mal posicionadas, ocasionando zig zag da corda. (Eduardo Tondo “Duca”).














*Lembre-se:


Estas pedras localizam-se em propriedade particular! Informe-se e anuncie-se antes de entrar. E o local possui uma beleza cênica considerável, procure ter atitudes de mínimo impacto!




Boas Escaladas!


























segunda-feira, 12 de maio de 2008

Cerro Branco, RS

Cerro Branco é um munícipio próximo a Candelária. Muito interessante o lugar. O nome se dá pelo afloramento basáltico em uma encosta. Uma falésia de 150 metros em média. Com muitas fendas numa parede bem vertical. Muitas linhas para abrir. A parede possui pequenos platôs em raros pontos, o que caracteriza boas vias de dura ascenção. Mais uma das melhores paredes de vias longas do estado.
Concluímos a primeira rota da parede em 2003, e estamos abrindo outra.
Abaixo um relato da conquista publicada em meios de comunicação do montanhismo brasileiro.

As fotos estão em seqüência de acordo com a via.





"Conquista no Cerro Branco - RS


Ouvimos falar de uma parede com quase duzentos metros chamada de Cerro Branco. Na época eu morava na pacata cidade de Vera Cruz. Em um passeio de domingo com a namorada fomos até o município próximo que leva o nome do afloramento de rocha, Cerro Branco. Yaaahhrreeeoouumm... não tem duzentos metros mas a parede de basalto, que fica no topo do cerro, é impressionante, grande e com várias linhas possíveis. Ligo para o meu irmão Gabriel e começamos os preparativos.
Fomos numa investida de avaliação, longa trilha de subida até a base, metade em uma trilha já existente outra metade nós abrimos. Concluímos a factibilidade de uma conquista, vamos voltar!!!
Em setembro de 2002, fomos para ficar seis dias: choveram quatro. Mesmo assim nestes dois dias de conquista o Gabriel puxou a cordada em livre por uns trinta metros totalmente em móvel. A entrada da via é linda: uma aba de rocha curta para dominar um platô, lance de 7º, seguindo por um diedro/chaminé/ralação com uns doze metros e apenas 3 passadas em artificial. Minha vez!! Jumariei, olhei, sairei em livre... vou bater uma chapa. Trecho sacana de rocha escorregadia, domino um mini platô móvel!! Sem costura, a parede começava a contar com quantos ml de adrenalina se deixaria ser conquistada. Coloco dois excentrics nº1 só para o equilíbrio pois se os tracionassem a fenda abriria e eles cairiam, emoções fortes segunda chapeleta. Passadas em artificial com um parafuso, clif, camalot`s 4,5 e 5 em fenda expansiva, finalizada a primeira cordada com cinqüenta metros. Bato a parada bem abaixo de um pequeno e protetor teto vamos embora , o nosso tempo acabou.
Alta Ansiedade!
Voltamos em março de 2003, agora com dez dias reservados a terminar a rota. Desta vez fomos acompanhados de um amigo montanhista, o maizena (menos conhecido como Marcelo!) também de Pelotas que fotografou a escalada. Chuva forte no primeiro dia, ruim a primeira vista porém durante todo tempo tivemos água abundante perto do acampamento. É bom voltar ao local, vegetação bacana, ar puro e o tempo prometendo estabilidade perfeita.
De volta a rocha Gabriel guia (não deixamos fixa) até a primeira parada, ponto que havíamos parado, preparamos a base e no dia seguinte eu estava entrando na fenda que nos levaria até o cume, mas levou-nos apenas até a P2. A escalada é aprendizado, se enfrenta o desconhecido. Neste dia não subi nem dez metros, artificial delicado com clif’s e blocos expansivos, risco de um fator dois, chapeleta! A terceira da via. Pensamentos correm a cabeça mas o sol nasce no outro dia e volto ali sem expectativas. A fenda estava com muito mato, muita rocha solta, bastante preocupante. Os sons do vazio começavam a falar-nos, a segunda cordada acabou ficando somente com aquela chapa, o resto friend’s e mais friend’s com muita administração das costuras que ficavam para não faltar peças para cima! Domínios em livre de fazer suar e em uma destas passadas, uma placa se desloca nas minhas mãos e acerta a corda da segue, lembro de ver estrelas. Final da tarde chego na base do ponto onde nós esperávamos com muita gana: um diedro fechado, longo e limpo que terminava em baixo de um teto com uns três metros, sabíamos que esta via reservaria todos os prazeres para o final.

Cada vez melhor!
A terceira cordada é alucinante o panqueki fleike, os morcegos, batalhão de aranhas, estávamos em uma região onde não se via comumente um homem. Parada bastante aérea (como de costume duas chapeletas) uma fenda perfeita na parede da esquerda do diedro surge e faz a cabeça da galera levando-nos a trocar o diedro pela fenda. O Gabriel mandou sua maior parte em livre fazendo, em artificial, uma passada crux da fenda. O teto foi demais, bem estudado com fendas ensaboadas que não travava peça nenhuma, o Gabriel lá tentado de tudo e eu ligado, mas com tranqüilidade é que se fica tranqüilo, costurou um frendinho mais ou menos no pé do teto, mandou em livre (delírio!) e empotrou um friend só lá fora do teto na cabeça, clipou o estribo e beleza! Seguiu por uma fenda larga mais quinze metros e bateu a chapeleta de fim da via, resolvemos não chegar até o cume pela quantidade de mato e rocha solta, mas o que queríamos, a parede, havia terminado. Descemos batido da parede fugindo da chuva que esperou até chegarmos na base para nos abençoar encerrando a janela do tempo perfeito com céu azul e noites estreladas.
Estava conquistada uma via naquela parede!!! Esta, possibilitou-nos uma nova experiência vertical, o basalto, as dificuldades em geral, deixou uma certeza: as grandes paredes falam mais intensamente ao nosso estilo. Acreditamos não ter nenhuma outra rota, fato confirmado pelos moradores locais que disseram jamais ter vindo algum “tipo de gente assim” por lá. Porém vimos uma parada precária e uma chapa perdidos na parede, parecendo ser coisa de rapeleiros, também confirmado pelos moradores: “Já vieram uns que desceram com cordas fazendo muita gritaria”.




Equipo
Nesta via utilizamos: 1 jogo de stoper, 1 jogo de camalot (camalots jr.0.5 ao 5 ) + 1jogo de friends (2 nº4) + excentrics 1, 2, 3, 10, 11. Clifs: Talon, clifhanger, grapling.

TudiBom! É uma via que não sofreu nenhum tipo de alteração, deformação ou “limpeza”, na linha natural da rocha. Fixamos oito chapeletas no total (incluindo as das paradas). Ficamos felizes por conquistar, talvez, a primeira rota de escalada em rocha da montanha, num tempo líquido de conquista de seis dias.
A graduação fica para mais tarde ser confirmada, mas mesmo com falta de experiência arriscamos: TudiBom! 7º C2, 130 metros, (C2 não é cabo de aço, viu! é "Clean" ou seja, limpo. Não precisa usar martelo) acreditamos que exige um dia inteiro para repeti-la. Podendo ser feita mais em livre... pra próxima!

Como chegar:




O município de Cerro Branco é fácil de ser encontrado, pela BR 287 encontram-se placas indicadoras. A parede branca é visível e inconfundível, e quem tem boca vai até ela. A estrada é boa. A Tudibom localiza-se para a esquerda do afloramento, com orientação sudoeste. Do ponto de onde se deixa o carro até a base da via sobe-se 320 metros, por uma trilha pancadona. Para melhores informações entre em contato conosco.
Não podemos encerrar esta matéria sem agradecer ao nosso irmão Guilherme que emprestou equipos usados na conquista e, também, sua Kombi!!! Também colaborou na primeira investida o escalador Rafael de Santa Cruz do Sul."



A via até o momento não teve repetições... E se você repeti-la, faça seus comentários aqui no blog!! Valeu!